História preservada

A importância da manutenção do patrimônio histórico como construção de memória da sociedade

No final do ano passado houve um grande incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, transformando em cinzas, em questão de horas, registros e memórias não só do Brasil, mas de todo o mundo. Além dele, no decorrer de menos de uma década, um acervo incontável de peças históricas brasileiras foi perdido por descaso com o patrimônio público, como foi o caso dos museus do Butantã, da Língua Portuguesa e da América Latina. Esses incidentes acendem um sinal de alerta para a necessidade de projetos e programas que incentivem o cuidado e a preservação de peças históricas.

Segundo o livro Patrimônio Histórico: Como e por que preservar, elaborado pelo Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo), patrimônio histórico “é o conjunto de bens, de natureza material e/ou imaterial, que guarda em si referências à identidade, à ação e a memória dos diferentes grupos sociais. É um elemento importante para o desenvolvimento sustentado, a promoção do bem-estar social, a participação e a cidadania”. Ainda segundo a obra, a destruição dos bens herdados das gerações passadas proporciona a quebra da corrente do conhecimento, levando a população a repetir experiências já vividas. 

Foi pensando importância de preservar a memória da cidade de Lençóis Paulista, localizada no interior de São Paulo, que as bibliotecárias Regina Sasso e Silviane Aparecida Sanches Rodrigues desenvolveram um projeto para financiar a conservação de documentos antigos do município. Elas foram contempladas por um edital do ProAC (Programa de Ação Cultural), que tinha como objetivo incentivar a área de gestão e preservação em arquivos permanentes do Estado de São Paulo. Inicialmente, Silviane teve a ideia de elaborar o projeto devido à necessidade de certos materiais e scanners específicos que são usados no Laboratório de Conservação e Reparos de Livros e Documentos do Centro de Documentação Histórica de Lençóis Paulista. “Dos insumos que foram comprados, estão alguns tipos de papéis e material de restauro que têm um preço muito elevado para a prefeitura comprar, como um papel que custa 80 reais a folha, o que fugia do nosso orçamento municipal”, explica a bibliotecária Silviane Aparecida Sanches Rodrigues. E para integrar a iniciativa, a bibliotecária convidou a munícipe Regina, que sempre foi muito ativa nos projetos da cidade. 

Infelizmente, casos assim são tidos como exceção. Somente no estado de São Paulo, o Teatro Cultura Artística, o Memorial da América Latina, o Museu da Língua Portuguesa e a Cinemateca sofreram com incêndios declarados como acidentais. Por fim, o Museu do Ipiranga, um dos mais importantes do país, encontra-se fechado há cinco anos para reformas. “Existe a necessidade de projetos culturais abrangentes que não só preservem o legado e memorial, mas sensibilizem a população e promovam uma educação de valorização e reflexão sobre a missão de defender o patrimônio histórico e cultural como um direito intergeracional para o crescimento de todas as pessoas”, explica Dom Roberto Ferrería Paz, bispo de Campos (RJ), em entrevista ao portal da CNBB.

Foto de capa: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Reportagem: Danilo Mendes e Michele Custódio




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