Alimentação saudável: hábito ou necessidade?

Verificar a procedência dos alimentos também é um importante aspecto para alcançar uma melhor qualidade de vida

Por Ana Carolina Brandão, Juliana Oba, Larissa Zapata, Lucas Janini e Tito Silva

Com uma rotina cada vez mais acelerada, com menos tempo para cuidar da saúde, os movimentos que pregam um estilo de vida saudável vêm ganhando cada vez mais seguidores e chamando atenção para assuntos importantes, como a qualidade dos alimentos que consumidos.

A alimentação, porém, está associada a um mercado maior e a uma cultura crescente, que se desenvolvem ano a ano, em diversos aspectos. Como a busca por hábitos saudáveis envolve outros elementos, existem diversos setores que se correlacionam, como o de academias, que faturou R$ 6,5 milhões, em 2015, segundo a Associação Brasileira de Academia (Acad). Em 2016, o Brasil já era o segundo maior no mercado mundial desse setor.

Além disso, as redes sociais influenciam na dispersão da cultura fitness, atraindo cada vez mais adeptos e atingindo mais pessoas com a transmissão de informações sobre o tema. De acordo com um estudo do economista americano Arie Halpen, o mercado de aplicativos para celulares com temática de vida saudável vai movimentar US$ 26 bilhões até o final de 2017.

O acesso a produtos orgânicos, no Brasil, também se tornou mais fácil a partir da legalização de sua comercialização, aprovada pela Lei 10.831, em 2003. Embora, a regulamentação só tenha acontecido em 2007, com o Decreto Nº 6.323, ela foi responsável por uma maior qualidade e segurança, tanto para os comerciantes quanto para os consumidores.

Todos esses fatores, associados ao desenvolvimento tecnológico, que alcança novos patamares a cada ano, contribuem cada vez mais para a popularização dos hábitos saudáveis.

Mudanças de hábito

Apesar das pessoas estarem mais conscientes quanto aos problemas causados por más escolhas na alimentação, ainda assim, seguir uma rotina saudável não é tão comum. Seja pela falta de tempo ou apenas pela facilidade, muitos brasileiros optam por escolhas ruins e a mudança de hábitos sempre fica para depois.

O pensamento de “segunda-feira eu começo” é popular, mas talvez ele seja um problema na hora de apostar em uma rotina mais saudável. Em vez de deixar para depois, fazer uma boa escolha no momento, faz com que o cérebro vá se adaptando ao novo comportamento, assim, de modo gradativo, o pensamento saudável vai se tornando um hábito.

Deixar de lado o hambúrguer, a sobremesa e os petiscos não é uma tarefa fácil, mas segundo a nutricionista Denise Real, para mudar hábitos que, muitas vezes, vêm de infância é necessário ter aliados. “Eu sempre costumo comentar com outras pessoas para ter aliados. Então, comentar com a família ‘estou mudando minha alimentação’, para elas respeitarem. Muitas vezes, isso pode ser um clique, porque as pessoas esperam alguém iniciar para elas também começarem a mudar os hábitos”.

A nutricionista também conta que dificultar o acesso aos alimentos que mais gostam e não são saudáveis, ajuda na hora de comer besteiras. “Se você ama doce, por exemplo, evite comprar. Quando tiver com muita vontade, sai, compra uma versão pequena, come e pronto”, explica. Além disso, ela completa dizendo que é fundamental ter opções saudáveis de lanche acessíveis, seja no trabalho ou na bolsa, como castanhas ou frutas.

Levando em consideração a mudança de hábitos alimentares, a máxima é: “desembalar menos e descascar mais”. Assim, quanto mais alimentos naturais forem consumidos, melhor é para a saúde, e nesse sentido surge o movimento “Slow Food”, que apesar de estar se popularizando agora, surgiu em 1986, na Itália.

Traduzido ao pé da letra, o termo significa comer devagar e era, simplesmente esse, o recado que Carlo Petrini queria passar ao fundar o movimento que vai de encontro aos alimentos preparados em apenas cinco minutos. Além de prestar atenção ao sabor da comida, apreciando cada colherada, o Slow Food, também preza pelo contato com o alimento desde o seu preparo. Por isso, o exercício é deixar a correria de lado, para ter bons momentos na refeição.

Além da consciência quanto à nossa alimentação, trazendo benefícios para a mente, o movimento beneficia também a saúde. “O Fast Food, por mais que tenha ajudado a nossa rotina, ele nos boicota, porque são opções que se a gente fizer uso contínuo, altera desde questões de peso até fatores bioquímicos como colesterol, além de ser uma comida totalmente inflamatória. Já o Slow Food é um movimento que vai tomar força exatamente pela parte de consciência da alimentação, de opções mais saudáveis e sair um pouco dessa roda viva maluca que a gente tem de engolir os alimentos”, relata Denise.

Em 2014, o Ministério da Saúde lançou a segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira. No documento oficial são apresentadas recomendações de alimentação adequada e saudável para os brasileiros. O objetivo é que as recomendações sirvam de suporte para as práticas de educação alimentar adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No guia são apontados dez passos para se alcançar uma alimentação adequada e saudável, sendo eles: fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação; utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades; limitar o consumo de alimentos processados; evitar o consumo de alimentos ultraprocessados; comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados, e sempre que possível, em companhia; fazer compras em locais que ofereçam variedades de alimentos in natura ou minimamente processados; desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias; planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço e tempo que ela merece; dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora e ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

Os passos sugeridos pelo Guia Alimentar para a População Brasileira. (Crédito: Larissa Zapata)

Há 10 anos, o engenheiro de produção, Murilo Campos, decidiu mudar os seus hábitos alimentares. Motivado principalmente pelo combate do que ele chama de indústria de exploração animal, Murilo passou a adotar uma alimentação vegetariana. Atualmente, o engenheiro segue uma alimentação vegana, em que produtos e alimentos de origem animal são descartados da dieta. Perguntado sobre as mudanças em seu corpo e em sua saúde alcançados pela mudança de hábitos alimentares, Murilo enumera diversos benefícios. “É notório um aumento de disposição, melhoria do sono, redução de desconforto do sistema digestivo, perda de gordura localizada, redução de oleosidade na pele e no cabelo, redução de odores de transpiração, sem contar melhoria em índices glicêmicos e de pressão arterial, entre outros”.

A mudança de hábitos alimentares pode ser um processo difícil para muitas pessoas, principalmente quando se retira da dieta alimentos que eram consumidos diariamente. Para Murilo, a transição para o vegetarianismo foi a mais difícil, já que ele conhecia uma variedade pequena de alimentos. “A transição para o vegetarianismo foi mais complicada pois conhecia poucos alimentos. A minha alimentação era baseada em carne, então no início apenas tirei este item do meu cardápio o que gerou uma queda na qualidade da alimentação”.

Após mudar sua dieta alimentar, Murilo passou a dar mais atenção à algumas tarefas como fazer compras e cozinhar, comportamentos recomendados pelo Guia Alimentar. “A partir do momento que me vi forçado a buscar por outras variedades, passei a conhecer uma gama bem maior de alimentos e refiz toda a minha rotina de compras e lugares e passei a cozinhar mais. A partir daí a alimentação melhorou significativamente. A transição para o veganismo foi bem mais fácil, pois já tinha tido uma experiência”.

A gestora ambiental Priscila Scarlato, 24 anos, também decidiu mudar os seus hábitos alimentares devido a sua visão sobre o processo de abate de animais. Há quatro anos, ela segue uma dieta vegetariana.

Inicialmente, Priscila enfrentou problemas por não saber substituir os alimentos corretamente o que fez com que ela desenvolvesse anemia ferropriva, uma doença causada pela deficiência de ferro no organismo. O problema foi resolvido quando Priscila procurou orientação de uma nutricionista.

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Priscila fez uma tatuagem que simboliza sua transição para o vegetarianismo. (Foto: Arquivo pessoal)

Encontrar produtos que estão de acordo com a sua dieta vegetariana não é um problema para a gestora ambiental. “Hoje em dia é muito mais fácil, pois há bastante produtos à base de soja (salsicha, linguiça, quibe, coxinha etc) nos supermercados. Além de lanchonetes e restaurantes com cardápio vegetariano/vegano”.

Em Bauru, a oferta de restaurantes e lojas que oferecem alimentos vegetarianos e veganos tem aumentado nos últimos anos, devido sobretudo a onda de alimentação saudável no Brasil.

Inaugurado este ano, o Amarte Ateliê Culinário, localizado no centro da cidade, já conquistou uma clientela fiel apostando em um menu saudável. Oferecendo sempre uma opção de prato vegano e outra com proteína animal, é possível retirar a refeição no local ou pedir por telefone ou WhatsApp para entrega a domicílio. O cardápio é bastante diversificado, indo da clássica feijoada brasileira até o frango com curry, prato típico da culinária indiana. “Nosso cardápio muda constantemente, é difícil enjoar. Nos primeiros 40 dias do Ateliê não repetimos uma única preparação. Preparamos um cardápio genérico para 30 ou 40 dias, depois vamos decidindo de acordo com os nossos fornecedores. Também nos guiamos pelo que os clientes gostam e pedem”, diz Marina Louzada, proprietária do Amarte juntamente com João Filipe De Cesaro.

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Marina Louzada e João Filipe Di Cesaro proprietários do restaurante Amarte (Foto: Arquivo Pessoal)

O conceito do negócio é servir uma comida com ingredientes de qualidade para quem não tem tempo de preparar uma boa refeição durante a semana de trabalho. “Nós acreditamos que comida saudável é aquela sem frescura. É comida de verdade, sem conservantes e realçadores, mas sem restrições exageradas e com boas fontes de gorduras, proteínas e legumes. Também damos preferência aos ingredientes orgânicos, locais e sazonais”, afirma Louzada.

Cada vez mais presentes em restaurantes de alimentação saudável, mas também em feiras livres e supermercados, os produtos orgânicos são livres de agrotóxicos, e os ingredientes sazonais costumam ser cultivados com menor teor destas substâncias químicas. O consumo de alimentos com agrotóxicos está associado ao desenvolvimento de certos tipos de câncer, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos.

Além da alimentação saudável, é necessário verificar a origem dos alimentos para evitar o consumo de produtos contaminados por agrotóxicos. Os alimentos orgânicos possuem selos de certificação de qualidade e procedência.

Serviço

Restaurantes que servem comida saudável em Bauru:

Amarte: R. Antônio Alves, 13-05 – Centro, (14) 98123-2465

Balaio R. Antônio Garcia, 6-60 – Vila Santa Tereza, (14) 98186-0456

Boragó: R. Rubens Pagani, 4-70 – Jardim Estoril IV, (14) 3208-3222

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