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Agência ou conta própria: quem é o chefe da sua viagem?

Comodidade ou liberdade? Descubra os prós e os contras da organização de viagens por agências ou de planejamento próprio.

Por Michelle Albuquerque e Érika Turci

As pessoas que viajam estão em busca de alguma coisa. Pode ser para aproveitar as férias do trabalho, da escola, da faculdade, conhecer novas pessoas, se conhecer, aprender um novo idioma, uma nova cultura, fazer trabalho voluntário, entre outros. É cada vez mais fácil encontrar passagens, hospedagens e passeios a preços acessíveis, sem perder a qualidade da experiência.

Escolher o destino para as empreitadas é algo extremamente pessoal, geralmente ligada ao impulso de buscar realização pessoal e profissional. A bauruense Patrícia Matiello, 31 anos, é Técnica em Segurança do Trabalho e aproveitou as férias do emprego para fazer sua primeira viagem internacional em 2012. Ela escolheu o Chile como destino e organizou a sua própria viagem, atraída pela história e cultura do país:  “Como eu não havia me programado muito para guardar dinheiro, vi que se eu montasse meu roteiro sairia mais em conta, desde então eu tomei gosto e dedico pelo menos 5 horas da minha semana pesquisando os meus próximos roteiros”.

Patrícia Matiello com a lhamas no Chile
Patrícia Matiello observando lhamas no Chile. | Foto: Reprodução/ Instagram

Ana Beatriz Ribeiro, 23, estudante de Design, era novata no assunto e organizou sua primeira viagem em 2016, quando estava na Itália fazendo intercâmbio pela faculdade:Surgiu o interesse porque acabava sobrando muito dinheiro da bolsa do meu intercâmbio e porque não conhecer os países da Europa? Organizava as viagens sozinha porque achava que meu dinheiro rendia mais sem agências.”

Já a estudante de jornalismo Izabella Pietro, 21, é veterana no quesito planejamento, pois além de suas próprias viagens, também auxilia a de conhecidos e familiares. O interesse surgiu junto a necessidade de saber onde estava investindo e o que se adquire quando vai viajar. “Em 2014 eu fiz um intercâmbio e tive que correr atrás da maioria das coisas, então já comecei a me interessar pela área”, explica a estudante.

Segundo  Carlos Vogeler, diretor para as Américas da Organização Mundial do Turismo (OMT), na cerimônia de abertura da Feira Internacional de Turismo em Cuba, em 2015, o turismo é um dos setores econômicos que cresce com mais rapidez, e representa 9% do PIB mundial. O setor registrou um crescimento de 4,4% no número de viagens internacionais em 2014, contabilizando 1.1 bilhão de turistas e movimentando 1,2 bilhão de dólares.

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O mundo é um universo de possibilidades. | Foto: Pixabay

Como organizar a viagem dos sonhos: agência de viagens ou por conta própria?

O ponto essencial para fazer uma viagem é o planejamento, que pode ser feito por conta própria ou através de uma agência de turismo ou intercâmbio. Tudo vai depender do perfil do viajante, de suas prioridades, e claro, no quanto pode ou está disposto a gastar. E hoje, existem aplicativos e sites que buscam pesquisam os preços de passagens aéreas, hotéis, blogs que indicam roteiros alternativos, que facilitam para quem está em busca de organizar sua própria viagem.

Quem planeja sua própria viagem fica mais livre para escolher o roteiro, a acomodação, datas e horários mais flexíveis e, também, consegue economizar bastante. Mas é preciso estar ciente que é você que irá correr atrás de tudo. Quem opta por viajar por uma agência, busca segurança e comodidade. Izabella Pietro, já viajou com agência para Orlando e para Porto Seguro e teve as suas expectativas atendidas. Ana Beatriz Frozoni também viajou para Porto Seguro com agência e, apesar ter ficado satisfeita e não precisar se preocupar com nada, prefere organizar sua própria viagem: “A liberdade da escolha do roteiro ainda prevalece pra mim e em agência isso não acontece” complementa.

Patrícia Matiello também reconhece que ter tudo pronto é mais confortável, mas pontua que já teve um desconforto viajando com o serviço: “Não tive nenhum problema mais sério. Acho que a hospedagem peca um pouco. Eles mostram fotos de hotéis bacanas, e quando você chega lá não são tudo aquilo que demonstravam. É óbvio que é muito mais confortável você dizer onde quer ir e alguém te entregar tudo prontinho. Dá uma certa segurança principalmente em viagem internacional, saber que quando chegar no aeroporto terá alguém pra te receber… mas tudo tem seu preço, né!?” finaliza.

Mural de fotos Egali Intercâmbio. Foto: Érika Turci
Mural de fotos dos clientes da Egali Intercâmbio. | Foto: Érika Turci

A segurança e praticidade das agências de viagens

Simone Salles, 26, é turismóloga formada pela UFOP e consultora de vendas na Egali Intercâmbio. A empresa tem mais de 100 unidades pelo Brasil e em diversos países, oferece cursos de línguas para adultos, crianças e trabalho com cursos no exterior. A turismóloga explica que o perfil do intercambista é levado em conta para organizar um intercâmbio por parte da agência: “Levamos em consideração: destino (se precisa de visto ou não e se a pessoa se enquadra nas exigências do visto, caso o destino peça), idade, nível de inglês, valor do investimento, duração e data de embarque”.

Outros quesitos são essenciais, como tipo de acomodação pretendida, localização, valor e estrutura e a escola de destino, de acordo com valor e objetivo do estudante. “Com esses dados, é possível organizar um intercâmbio com segurança e responsabilidade” ressalta Simone e lembra que a antecedência é a melhor aliada para um planejamento de qualidade. Assim é possível conseguir, desde melhores acomodações até melhores preços aos clientes.

Simone Salles Egali Intercãmbio
Simone Salles, consultora de vendas da Egali Intercâmbio, localizada em São Carlos (SP). | Foto: Érika Turci.

Segundo Carlos Vogeler, diretor para as Américas da Organização Mundial do Turismo (OMT), a Europa é a região que conta com o maior número de viajantes internacionais, representando 51,4% do passageiros e 40,9% do faturamento. Em seguida estão a Ásia e Pacífico, com 23,2% do fluxo de turistas e 30,3% do faturamento. Em terceiro lugar estão as Américas com uma representação de 16% no fluxo e 22% do faturamento. Seguido pela África, na última colocação com uma pequena representação de 4,9% do fluxo e 2,9% do faturamento.

De acordo com Simone, o destino mais procurado pelos clientes da agência é a Europa. Os transportes dependerão de qual país ou cidade o cliente escolher. Na Europa, por exemplo, o trem é bastante requisitado para alguns trajetos, porém as passagens aéreas dentro da região possuem preços mais convidativos. A hospedagem é de acordo com o perfil e investimento do cliente. Geralmente, são hostels, acomodações estudantis ou casas de família (a última implica em mais regras e menos liberdade).

A turismóloga explica que é preciso estar atento aos gastos no país de destino, afinal, o custo não pode ficar apegado somente ao valor da moeda local. Às vezes o destino tem uma moeda mais baixa, mas o custo de vida (alimentação, transporte, lazer, entre outros) dentro do destino é mais alto do outro com a moeda mais cara.

Vale a pena organizar as próprias viagens?

Outra opção é organizar a viagem por conta própria, sem o auxílio de uma agência de viagens. Para quem planeja pela primeira vez, recorrer ao auxílio de profissionais é uma garantia de que nada sairá fora do planejado e significa ter um lugar para confiar, enquanto conhece um local completamente diferente. Mas, cada vez mais viajantes – de primeira viagem ou não – buscam economia e flexibilidade em seus novos destinos.  

Até cerca de 15 anos atrás, quando a presença de internet e tecnologia era menor, o cenário era bem diferente e não era tão simples organizar por conta própria. Era preciso recorrer a quem já havia viajado para o destino pretendido, guias impressos e programas televisivos. Não era simples fazer comparações e descobrir se um hotel era bom ou ruim. Com a internet, realizar pesquisas e descobrir tudo sobre o seu destino tornou-se extremamente acessível.

Mulher com câmera viajando
Escolha o seu destino e viaje! | Foto: Pixabay

Liberdade e economia fazem toda a diferença

Segundo Izabella, as vantagens de se organizar a própria viagem são inúmeras, se comparadas a viajar com agências e ela destaca dois pontos: a economia e a liberdade. Pois, quando a própria pessoa faz a cotação de valores e promoções em todos os setores necessários (hotéis, passagens, transporte, cotação da moeda estrangeira, etc), ela busca exatamente o que cabe em seu orçamento.

Um exemplo, é a viagem de Patrícia para o Peru em que a economia foi de, praticamente, 50% nos gastos: “Cotei em uma agência 7 dias no Peru, incluindo as cidades de Lima, Cusco e Macchu Picchu e saiu por R$12.600,00. Fui por conta e por R$6.500,00, fiquei 19 dias e conheci, praticamente, o país inteiro. Visitei quase todos os pontos turísticos mais importantes, do Norte ao Sul do país” explica.

carimbos no passaporte Ana Beatriz Frozoni Instagram
Carimbos no passaporte de Ana Beatriz Frozoni. | Foto: Reprodução/ Instagram

Os viajantes destacam que organizar a própria viagem faz com que a pessoa torne-se muito mais próxima do destino que irá visitar. Para Izabella, a pessoa tende a descobrir curiosidade se se aprofundar, aumentando ainda mais o interesse pelo lugar. A flexibilidade, para a estudante, é um diferencial: “É possível mudar de ideia sobre algum programa em cima da hora ou decidir dormir mais um pouquinho em determinado dia sem prejuízo. Além disso, quando organizamos a nossa própria viagem, escolhemos nossos hotéis, voos, restaurantes, datas e horários, da melhor forma que acharmos.”

Na mesma linha de pensamento, Ana Beatriz destaca que a maior vantagem é ter autonomia para escolher onde quer ir, sem ter um roteiro pré estabelecido: Você que manda! Tem total liberdade para deixar de conhecer o que é famoso e conhecer o que quiser. Você investe seu dinheiro no que quer e como quer. Resumindo, você é o chefe da viagem!”. Por fim, a liberdade – como Patrícia prefere chamar – é a união de todas essas vantagens: conhecer intensamente o destino, ter autonomia das suas decisões durante a viagem e ter o passe livre para modificar o seu roteiro quando e como quiser. “Muitas vezes, com agências, os viajantes ficam submetidos a programação decidida pela companhia e não podem fazer nenhuma alteração e nem faltar nos programas” finaliza Izabella.

Quais são as barreiras ao viajar sozinho?

É preciso lembrar que organizar sozinho exige o dobro de atenção em cada detalhe, para que nada saia dos trilhos durante a viagem.  Izabella adverte para o fato de que não é tão simples quanto parece: “Dá muito trabalho, requer dedicação e tempo, e se alguma coisa der errado no seu planejamento, você precisa assumir a culpa (afinal, você que é o responsável pela organização).”.  Você é humano e problemas podem, e sem dúvidas, irão acontecer. É preciso estar preparado.

Entre as barreiras mais comuns para visitar o destino dos seus sonhos, o idioma é o primeiro lugar e a burocracia com relação a documentação, o segundo. Para a bauruense Patrícia, um dos motivos principais de ter escolhido países da América do Sul foram dificuldades menores com a documentação: “Com um simples RG, com data de expedição abaixo de 10 anos, é possível viajar por toda a América do Sul. Outro ponto é que o idioma é de fácil compreensão, qualquer leigo consegue ‘se virar’ nestes países.” Outra questão, para quem depende da internet, são lugares pouco explorados que contam com informações escassas na rede, como a Eslovênia, por exemplo, destaca Ana Beatriz.

É necessário estar atento para os fatores físicos. Na preparação, busque conhecer o clima do local no período de sua ida. É um detalhe, que a primeira vista parece irrelevante, mas evita situações como a de Izabella, em que a principal barreira em sua viagem para a Europa foi o frio: “Por ser primavera, acreditei que estaria mais calor e não levei roupas suficientes. O frio não é igual ao do Brasil e nem a estação, já que pegamos a temperatura de 2°C em boa parte da viagem.” Outro questão física importante é o fuso-horário, que para ela, a diferença de 5 horas para o Brasil, a deixou um pouco confusa no começo da viagem.

Smartphone com mapa mundi
Tecnologia é aliada do planejamento de uma viagem por conta própria. | Foto: Pixabay

Planejamento é a chave do sucesso

Para todas as experiências novas na vida, existem os prós e contras. Para quem quer viajar sozinho, a preparação requer uma dose extra de atenção. Izabella aponta que o essencial para organizar uma viagem, com uma margem mínima de erro, é planejar: “Pesquise muito antes de decidir qualquer coisa. Não compre nada antes de procurar bem, não pague o primeiro preço que aparecer e se informe sobre onde está indo. Não vá sem planejar todos os detalhes!”.

Para Ana Beatriz, estar antenada sobre o local e preparada para as adversidades é essencial: “Faça o download de todos os aplicativos no smartphone que pretende usar e o mais importante de tudo: estude o lugar. Veja as últimas notícias sobre o país que está indo.” Já o cuidado com a saúde e segurança fazem toda a diferença para Patrícia, como fazer um Seguro Viagem, para garantir auxílio médio em caso de necessidade, e controle de vacinação para o país de destino (ou o retorno para o Brasil).

“Pesquise muito em blogs confiáveis, é legal ler os comentários que a galera que já visitou o país que quer ir deixam nos blogs e sites de hostels, ajuda demais! Leia se o país tem um índice muito alto de violência, dedique um bom tempo da sua semana em busca dessas informações e vá compilando tudo num roteiro caseiro” finaliza a técnica em segurança do trabalho.

Conheça 5 sites e aplicativos que te ajudam na hora de organizar uma viagem por conta própria:

1 – Tripadvisor: site com avaliações sobre hotéis, voôs, restaurantes, destinos. 

Acesse em: www.tripadvisor.com.br Tripadvisor logotipo

2 – Dubbi: rede social para as pessoas compartilharem suas experiências e dicas de viagens.

Acesse em: www.dubbi.com.br

Dubbi logotipo

3 – Google Tradutor: serviço gratuito que traduz instantaneamente palavras, frases e páginas da Web entre o inglês e mais de 100 outros idiomas.

Acesse em: translate.google.com.br

Google tradutor logotipo

4 – Decolar.com: site que busca passagens aéreas mais baratas.

Acesse em: www.decolar.com

Decolar.com logotipo

5 – Trivago: site que busca e compara preços de hotel no mundo todo.

Acesse em:  www.trivago.com.brTrivago logotipo

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