Câncer de mama: precisamos falar sobre isso

A doença é a principal responsável pela mortalidade entre a população feminina

Por Julia Bacelar e João Pedro Ferreira

O câncer tornou-se uma das doenças com maior incidência em todo o mundo. E esses números não param de aumentar. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que 600 mil novos casos da doença serão diagnosticados nos anos de 2016-2017, colocando-a como a segunda maior responsável pelas mortes dos brasileiros. E um tipo, em específico, chama a atenção devido às proporções que adquiriu nos últimos anos: o câncer de mama.

Imagem: BestGifx
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Segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, o câncer de mama é um tumor maligno, formado pelo desenvolvimento de células desordenadas, e caracteriza-se pelo surgimento de nódulos nas mamas ou na região das axilas que podem provocar alteração no tamanho e na forma dos seios, causar irritações na pele ou secreção pelo mamilo. Por não existir uma causa específica – fatores hormonais, ambientais/comportamentais e genéticos podem desencadear a doença – é preciso ficar atenta aos fatores de risco que podem levar ao desenvolvimento desse tipo de câncer. São eles:

  • Idade – mulheres acima dos 50 anos correm mais risco;
  • Histórico familiar;
  • Excesso de peso;
  • Elevado consumo de álcool;
  • Sedentarismo;
  • Não ter filhos ou ter depois dos 30 anos;
  • Ciclo menstrual: mulheres que menstruaram antes dos 12 anos ou que entraram na menopausa após os 55 anos têm maior chance de ter câncer de mama.

Entretanto, as pressões do dia a dia, somadas à correria, falta de tempo para se cuidar, doses grandes de estresse, entre outros fatores, estão fazendo com que cada vez mais mulheres coloquem a saúde em segundo plano, o que pode ser decisivo para o diagnóstico e o tratamento da doença. Para se ter uma ideia, o Ministério da Saúde chega a registrar 50 mil novos casos de câncer de mama por ano.

De acordo com o INCA, o câncer de mama hereditário, relacionado à alteração genética transmitida na família, representa de 5 a 10% do total de casos

O diagnóstico

De acordo com o INCA, no Brasil, as taxas de mortalidade para a doença ainda continuam elevadas, muito provavelmente porque, quando diagnosticada, ela já se encontra em um estágio avançado. Por isso, é fundamental realizar os exames regularmente, pois, quando detectado de forma precoce, a paciente com câncer tem mais chances de cura. Um estudo publicado na revista Lancet Oncology mostrou que, enquanto nos Estados Unidos 60% das mulheres são diagnosticadas com a doença nos estágios iniciais, no Brasil isso só acontece em apenas 20% dos casos. Mas como identificar a doença? Segundo o ginecologista Rogério Felizi, o diagnóstico é realizado com o auxílio de exames de imagem como a mamografia, a ultrassonografia mamária e a biópsia do nódulo.

Além desses métodos, também é preciso frisar a importância do autoexame das mamas, isso porque 80% dos tumores são descobertos pela própria mulher ao realizar o procedimento. O autoexame deve ser feito após 7 dias do término da menstruação, no qual a mulher deve apalpar toda a região dos seios e embaixo das axilas em busca de nódulos, alterações na pele ou no formato da mama e secreções mamilares. Caso identifique alguma alteração, a recomendação é procurar um especialista o quanto antes. O autoexame permite que a mulher conheça melhor o seu corpo, mas não serve como uma forma precisa de diagnóstico, ou seja, ele não exclui uma visita ao médico e a mamografia.

A mamografia, por sinal, ainda é a maior aliada das mulheres no diagnóstico do câncer de mama. Segundo um levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) com 4.196 mulheres, 60% tiveram a doença detectada já no estágio inicial e o principal exame que possibilitou isso foi a mamografia. Dessa forma, recomenda-se a todas as mulheres irem, pelo menos uma vez por ano, ao ginecologista, mesmo aquelas que não têm uma vida sexual ativa. A primeira mamografia deve ser feita aos 40 anos e depois em diante o médico recomendará a frequência com que cada mulher deve fazer o exame, levando em consideração as particularidades de cada paciente.

1,8 milhão de mamografias foram realizadas dos meses de janeiro a agosto em 2015, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS).

Fui diagnosticada, e agora?

O Ministério da Saúde, através do SUS oferece tratamento, entretanto, a paciente pode sofrer com a demora para ser atendida e a precarização dos hospitais em algumas partes do país. Outra forma de receber a terapia é através dos hospitais particulares, porém, essa opção pode não ser tão acessível para a maioria da população, já que os custos com o procedimento são altos.

De acordo com o ginecologista, o tratamento varia conforme o tipo e o local em que o nódulo está e as formas mais comuns são: quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia (para bloquear a ação dos hormônios femininos), e a cirurgia parcial (retirada do tumor) ou mastectomia (retirada completa da mama).

Prevenção é o melhor caminho

Todo ano, no mês de outubro, é realizado o movimento que ficou conhecido como Outubro Rosa. A campanha surgiu primeiramente nos Estados Unidos, na década de 1990, mas desde 2010 o INCA participa do movimento promovendo a discussão sobre o câncer de mama, disponibilizando material informativo para a sociedade e conscientizando sobre a importância do diagnóstico precoce. Em 2015, a campanha voltou seu foco para a compreensão dos desafios no controle da doença, controle esse que não depende somente da realização do exame de mamografia, mas também do acesso ao diagnóstico e ao tratamento com qualidade e em tempo para reverter o quadro clínico. Apesar de o mês ser dedicado ao assunto, é preciso desenvolver ações durante todo o ano e aumentar a disseminação das informações sobre a doença a fim de conscientizar a população feminina no Brasil.

*Consultoria: Rogério Felizi, ginecologista e obstetra

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