Agricultura orgânica, uma alternativa ao alarmante uso de agrotóxicos

Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos desde 2008.

POR GIOVANNA DINIZ, TÂNIA MENDES, TATIANE DEGASPERI
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Apesar das dificuldades, a produção de orgânicos tem crescido no Brasil. (Crédito: Pexels.com).

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que o brasileiro ingira cerca de cinco litros de agrotóxicos anualmente, distribuídos em 70% dos alimentos consumidos in natura. Desses, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 28% contêm substâncias não autorizadas em outros países, sem contar os alimentos transgênicos, produzidos a partir de grãos geneticamente modificados. O infográfico a seguir traz mais informações sobre este cenário no Brasil.

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O Brasil é o campeão em agrotóxicos, uma triste realidade que afeta seriamente a saúde dos brasileiros. (Crédito: Pexels.com).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre os países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam, anualmente, mais de 70 mil intoxicações agudas e crônicas. O secretário da agricultura e abastecimento de Bauru, Chico Maia fala sobre os riscos de intoxicação que podem ocorrer desde os primeiros meses de vida, a partir do aleitamento materno.

 

Agricultura Orgânica

O termo agricultura orgânica, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), surgiu por volta de 1920, devido a movimentos contrários à adubação química e a favor da prática de culturas baseadas em processos biológicos naturais. A Associação de Agricultura Orgânica (AAO), define a produção orgânica como um “processo produtivo comprometido com a organicidade e sanidade da produção de alimentos vivos, para garantir a saúde dos seres humanos, utilizando tecnologias apropriadas à realidade do local de produção”.  A principal diferença entre o cultivo orgânico e cultivo convencional encontra-se na utilização de fertilizantes, agrotóxicos e pesticidas para a otimização do processo de produção agrícola em larga escala. No lugar dos agrotóxicos, a agricultura orgânica utilizada predadores para as pragas comuns na lavoura, assim como adubos e fertilizantes naturais e orgânicos. Além do uso de produtos químicos, há diferença no cultivo de monoculturas, em que os grandes agricultores fazem o plantio de um único tipo de produto agrícola, atitude prejudicial à recuperação e manutenção do solo.

Dentre os principais riscos ao meio ambiente, causados pelo uso indiscriminado de agrotóxicos e fertilizantes, estão a intensa degradação do solo, contaminação do solo e rios no entorno das plantações, além claro, do desmatamento. Já em relação à saúde, estudos comprovam que a ingestão de alimentos contaminados por quantidades excessivas de agrotóxicos, pode causar disfunções hormonais, contaminação de leite materno desencadeando má formação do feto e dificuldades no desenvolvimento das capacidades cognitivas, além de serem possíveis substâncias cancerígenas.

A produção brasileira de alimentos orgânicos ainda esta muito restrita a pequenos e médios produtores, devido à prática exigir uma quantidade de mão de obra superior a convencional e ter um fornecimento mais limitado, o alimento livre de produtos químicos se torna mais caro, chegando há uma diferença de 40% dos produtos convencionais. O pequeno produtor orgânico Devanir Del’Arco possui um sítio no interior de São Paulo onde cultiva verduras e legumes livres de agrotóxicos com a ajuda de sua esposa e dois irmãos, afirma fazer por distração. “Sou aposentado, mantenho o cultivo mais por distração, apesar de mais caros, a procura tem aumentado, os alimentos orgânicos acabam compensando pela saúde, o que você gasta aqui economiza mais tarde em farmácias”, afirma.

Agricultura urbana em Bauru

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de 800 milhões de produtores desenvolvem agriculturas em espaços urbanos, o que chega a representar 15% de toda a produção mundial de alimentos.

Em Bauru, é mantido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAGRA) o Programa Agricultura Urbana, que auxilia a implantação de hortas comunitárias e escolares, proporcionando capacitação para a população, além do fornecimento de mudas. Para o secretário da agricultura de Bauru, o estimulo a agricultura dentro da cidade e a geração de renda, são as principais metas do programa.

A horta comunitária mais antiga da cidade é a do Núcleo Geisel que já existe há 33 anos e é um modelo de sucesso. Localizada na quadra 13 da rua Alziro Zarur, além de uma alternativa aos moradores, oferecendo produtos orgânicos, colhidos na hora e com o preço abaixo dos valores de mercado, oferece oportunidade de renda aos aposentados do bairro, como seu Mário de 84 anos, que cuida da horta desde 1993.

Outros bairros como o Jardim Jussara, Jardim Ivone, Jardim Europa também já possuem suas próprias hortas. O modelo vem dando tão certo que a horta do Jardim Ivone ficou classificada entre as trinta e cinco melhores iniciativas do país no Programa Melhores Práticas em Gestão Local, desenvolvido pela Caixa Econômica Federal. “A horta do Jardim Ivone é sem dúvida mais um exemplo de sucesso, os frutos já estão sendo colhidos. O fortalecimento do convívio na comunidade e desta com a prefeitura é notável, além da melhoria nutricional e geração de renda que provém da venda das hortaliças que excedem o consumo”, conta o secretário.

O secretário comenta também sobre a importância do projeto nessas comunidades mais carentes, principalmente em caráter informacional.

Outras iniciativas são mantidas na cidade, como “COOPERA UNESP” – I Feira da Agricultura Familiar, feira que é realizada dentro do campus da Unesp de Bauru. No local são vendidas frutas, legumes, hortaliças, além de pastel integral e sucos naturais vindos de sítios de agricultores familiares, principalmente do Assentamento Horto de Aimorés em Bauru. O principal objetivo da feira é conscientizar a comunidade universitária sobre a importância do cultivo familiar, além de proporcionar comodidade na aquisição de produtos mais saudáveis, principalmente aos estudantes que muitas vezes encontram dificuldade de encontrar tais produtos. As feiras passarão a acontecer toda segunda quarta-feira do mês.

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Primeira edição do COOPERA UNESP  (Foto: Tatiane Degasperi).

 

Principalmente para os estudantes, que pela dificuldade acabam não adquirindo esses produtos, ainda existem outras alternativas mais saudáveis, como a quitanda virtual Pé Vermelho, mantida por agricultores de assentamentos em Bauru. No site da quitanda são divulgados os alimentos disponíveis para compra, ao finalizar o pedido e montar sua cesta, os compradores podem escolher entre retirar no local e receber em casa, pagando um taxa de entrega.

 

 

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