Estação Ferroviária de Bauru vai abrigar Mercadão Municipal e Complexo Cultural

Emenda parlamentar aprova R$ 700 mil para reforma da antiga Estação Ferroviária de Bauru e implementação de Mercado Municipal na cidade. Prédio também deve abrigar um Complexo Cultural

Por Keytyane Medeiros

Tombado pelo Patrimônio Cultural em 1999, o prédio da antiga Estação Ferroviária de Bauru está em reforma desde abril deste ano para abrigar um Complexo Cultural da cidade e um possível Mercadão Municipal. A reforma, prometida para 2015, ainda está no começo e conta com recursos municipais e federais para ser finalizada.

O prédio de aproximadamente 10 mil metros quadrados de área construída e um vasto campo com trilhos e vagões antigos parados, foi inaugurado em 1935 pela Noroeste do Brasil (NOB), empresa ferroviária responsável pelo crescimento da cidade nos anos seguintes. No entanto, desde o final da década de 1990 o prédio foi desativado e em 2009, adquirido pela prefeitura de Bauru por aproximadamente R$ 6 milhões.

Mercadão Municipal: promessa em andamento

De lá para cá, o processo de reforma do prédio tem se arrastado em burocracias e em falta sistemática de recursos. Ainda em 2009, o atual prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) deu início aos trâmites legais de captação de recursos para reforma, mas apenas seis anos depois é que algum recurso federal deve chegar a Bauru. Por meio de emenda parlamentar proposta pelo deputado estadual Celso Nascimento (PSC-Bauru) ao deputado federal Jefferson Campos (PSD-Bauru), o Ministério das Cidades aprovou edital de financiamento e reforma da gare (área de embarque e desembarque) da Estação Ferroviária de Bauru no valor de R$ 700 mil. O recurso deve ser liberado pelo Ministério até dezembro de 2015, quando todos os documentos e planos de obras necessários forem entregues pelo município à União.

Entre as exigências necessárias para a liberação do recurso está a apresentação de um plano de obras referente à reforma. Apesar disso, o valor ainda está abaixo do total necessário para a construção de um Mercadão Municipal, segundo o secretário de agricultura e desenvolvimento de Bauru, Chico Maia. “A reforma do prédio da estação custaria aí uns 4 ou 5 milhões de reais no total e nós estamos trabalhando uma outra estratégia via BNDES ou obtenção de emendas parlamentares em ministérios como Turismo, Cultura e Cidades [para custear a reforma completa]. A ideia é fazer com que após a reforma da gare, os próprios remissionários [comerciantes e agricultores] do Mercadão custeiem a construção do próprio box”, defende.

Por se tratar de um patrimônio cultural da cidade, o plano de reformas não deve apresentar alterações estruturais na planta do prédio e a verba recebida via Caixa Econômica Federal deve ser destinada exclusivamente à reforma da gare da Estação, ainda que haja interesses adjacentes à construção do Mercadão, como a construção de um Complexo Cultural Municipal. Chico Maia defende que “700 mil reais não é muito dinheiro, dá pra fazer o essencial para que ali a gente implante o que chamamos de Mercadão, mas o objeto da emenda é a reforma da gare, queremos colocar ali boxes para escoamento de material, frutas, legumes e verduras de produtores locais, mas o que é essencial é a reforma da gare”. Entre as reformas possíveis estão a melhoria da infraestrutura hidráulica, elétrica e de saneamento do prédio, além de pintura e manutenção da parte externa. Chico Maia já visitou mercadões de Ribeirão Preto, Campinas e São Paulo para verificar possíveis modelos de negócio para a Estação.

Complexo Cultural

Ao contrário das obras do Mercadão Municipal, o Complexo Cultural da Estação Ferroviária já está a todo vapor. Exatamente ao lado da gare a ser reformada, fica o prédio central da Estação Ferroviária, onde diversos coletivos e associações culturais da cidade irão instalar suas sedes definitivamente.

Realizada em parceria com a Secretaria de Cultura, Secretaria de Esportes e Lazer e Secretaria de Saúde, a reforma municipal está em andamento desde abril. Entre os coletivos abrigados pelo Complexo estão a Casa do Hip Hop de Bauru, a Academia Bauruense de Letras e a Divisão de Ensino às Artes, da Secretaria Municipal de Cultura. O Complexo ficará restrito ao primeiro e segundo andar do prédio, já que o terceiro andar está bloqueado para reformas da prefeitura.

Apesar das obras terem se iniciado em abril, a reportagem visitou a Estação Ferroviária no último fim de semana e constatou que ainda há muito por fazer. Quatro meses depois do início da reforma, o prédio continua com várias salas vazias e sujas, alguns andares sem iluminação ou com fiação exposta, um salão superior enorme vazio e sujo no terceiro andar, além de antigos cofres da NOB espalhados pelo prédio. O saguão do primeiro andar, com portões vazados para a rua, no entanto, já possui iluminação adequada e abriga uma exposição de quadros e fotos de Graffiti, dada a inauguração da Casa do Hip Hop de Bauru, que acontecerá entre os dias 15 e 16 de agosto no segundo andar do prédio.

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Segundo Raya Pinto, uma das coordenadoras do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop e gestora da Casa do Hip Hop de Bauru, a instalação de coletivos culturais no centro da cidade pode ser uma alternativa para o descaso na região. “As atividades desses coletivos promoverá a circulação de várias pessoas pelo centro, muitas das quais não passariam por ali se não fosse por isso… Esperamos que a ocupação desse espaço tão simbólico e importante para Bauru seja um passo para tal melhoria, que fomente o poder público a olhar com mais cuidado para esse pedaço há tanto tempo abandonado na cidade”, afirma Rayra.

A Casa do Hip Hop de Bauru, assim como outros coletivos instalados, oferecerá cursos e oficinas de formação dos quatro elementos do Hip Hop (graffiti, breaking, rap e DJ) a partir da segunda quinzena de agosto. A inauguração contará com a participação de artistas com renome nacional como Banks BackSpin, lendário dançarino de breaking do Brasil, um dos mais antigos e relevantes fomentadores da cultura no país desde a década de 1980. Além dele, também haverá batalha de breaking com a participação do DJ Kamarão, membro da Zulu Nation (importante organização mundial do Hip Hop), shows com artistas locais como Coruja BC1, DJ Ding e DJ Cisco. Uma das atrações especiais do evento é a presença do coletivo de arte urbana CURA, de São Paulo e show de encerramento com o grupo Inquérito.

 

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